
.: Créditos :.
Não fiz almoço. Fui almoçar na casa de mamãe e depois voltei pra casa (isso mesmo, que nem cachorro sem dono). E também não fiz compras de supermercado: geladeira vazia, sem sabão em pó pra lavar roupa...
Não arrumei casa. Estou deixando o exterior refletir minha bagunça interna.
Não atendi nem fiz telefonemas. Não estou muito a fim de conversa hoje (chegando ao ápice da minha fase anti-social).
Não fui ao banco, nem paguei contas. Deu pra perceber que estou sem vontade de sair? Ainda mais se for pra resolver coisa chata.
Não fui ver a academia, embora tenha prometido a mim mesma.
Não dirigi, apesar de estar com a carteira de motorista definitiva em mãos. Tenho ódio da minha falta de senso de direção e espaço, não sei se um dia vou conseguir dirigir decentemente na minha vida, muito menos estacionar. É frustante DEMAIS!!!!!!!!!!!!!
Não fiz a declaração de imposto de renda e nem quero pensar nisso. Péssimo momento para despertar a revolta ao me dar conta de quanto o governo me roubou este ano. E não posso acreditar que ainda querem aumentar a carga tributária! Que isso não aconteça ou não me responsabilizarei pelos meus atos!
Desânimo... Uma melancolia que não sei explicar. Sabe quando você tem vontade de que tudo seja diferente, mas não sabe por onde começar? Quando sua vida parece que está fora do eixo e que você está andando em círculos? É como estou...
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Absurdo: vi uma propaganda do tele cine anunciando que vai passar filme com legendas usando as expressões típicas da net tipo "vc" (ao invés de "você"), "pq", "axu"... Eu "axu" (eca, fala sério) que isso só serve para estimular o assassinato da língua portuguesa. O pessoal já escreve tão mal, não creio que precisem de mais estímulo para isso! Escrever abreviado, ainda vá lá, mas escrever errado? Me desculpem, porém não concordo. Daqui a pouco inventam outro idioma...
Hoje passei mal. Não vai ter jeito, estava tentando evitar, mas vou ter que procurar um médico. Estou de saco cheio de médicos, nenhum deles resolve meus problemas. Espero que não seja cálculo renal (de novo, nãããããão! Eu não mereço!!!!!). Nem vou contar para mamãe, senão é puxão de orelha na certa.
Daí fiquei de molho em casa, sem disposição para nada. Bateu uma melancolia. Se eu conseguisse, dormiria o dia inteiro.
PS: o tal amigo do meu noivo não dormiu aqui hoje! Talvez tenha rolado um "semancol"!
Tem coisa que só acontece comigo... Um colega do meu noivo se instalou aqui em casa. É isso mesmo. Desde que meu noivo arranjou um "bico" para ele na empresa, de vez em quando ele vem pra cá e dorme aqui porque sai para trabalhar de madrugada com meu noivo. Só que ele não sai mais daqui. Desde que cheguei, não teve nenhum dia que ele não tenha vindo pra cá. Ele vem e vai ficando... Meu noivo anda irritado, mas acho que sem jeito de falar com o amigo. Até agora. Porque ele está tão chateado que disse que amanhã vai falar com o cara. Até eu, que geralmente não faço questão de nada, estou meio incomodada. A gente acaba perdendo a liberdade. Se ele não tivesse onde morar ou algo assim... Mas não é o caso. Detalhe: ontem o sobrinho do meu noivo pediu pra vir pra cá (de vez em quando ele pede e eu até acho legal); o menino (que tem uns 9 anos) veio, jogou video-game, jogos de computador e dormiu aqui. E nem assim o amigo do meu noivo se tocou... Hoje ele chegou dizendo que veio pegar as coisas dele, mas foi ficando mais uma vez. Resultado? Está aqui, dormindo na sala.
Analisando este episódio e mais alguns outros, descobri que muuuuitas vezes tenho dificuldade de dizer "não" ou "basta". Nunca tinha me dado conta disso até então e acho até que isso é meio que incompatível com minha personalidade. Mas acontece. E com certa frequência. Notei até que as vezes me prejudico para favorecer os outros. Isso não parece ser bom... Para vocês verem meu nível de anormalidade: estou me sentindo meio culpada por estar incomodada com a presença desse amigo do meu noivo aqui. Será que estou sendo cruel ou ele está mesmo sendo inconveniente?
Após uma espera de 4 horas na rodoviária (proximidade de feriado = ônibus lotado) e uma viagem cansativa, com direito a um cara roncando (e eu achando que tinha me livrado dos roncos) na cadeira atrás de mim e outro na fileira do lado berrando ao celular, finalmente cheguei em casa!
Ontem fui rever a família. Beijos e abraços para matar a saudade e esta foi a melhor coisa do meu dia. Quanto ao resto, não vale a pena falar agora, tenho que parar para pensar, mas não estou a fim de pensar muito no momento...
Muitos ovos de páscoa e bombons me aguardam (10 a 0 pra balança).
Feliz páscoa a todos e aproveitem bem o feriado!
Quando o helicóptero está prestes a pousar, o pessoal anuncia no auto-falante (mais conhecido como boca-de-ferro) quanto tempo falta pra chegar: "20 minutos fora", "10 minutos fora"... Bom, o meu está 10 horas fora. Agora falta mesmo pouco. Tudo bem que ainda terei que encarar quase 4 horas de viagem de ônibus, mas só de saber que estou indo para casa já é bom demais.
Apesar da animação de desembarcar, por algum motivo hoje acordei estranha. Talvez eu só precise descansar...
Tem coisa que a gente só ouve porque não é surda! E só não fala uns palavrões cabeludos porque somos educadas e porque o povo tem sorte de nos encontrar num dia zen...
Ouvi de um colega nesta quinzena que sou muito "delicada" e "frágil" para o tipo de trabalho que faço. Talvez isso se aplicasse se eu tivesse que carregar peso e coisa e tal, o que não é o caso. Se tiver que fazer algum esforço físico deste tipo, tem muitos homens aqui que se encarregam desta função. Achei o comentário uma espécie de preconceito. Sim, as mulheres se emanciparam e conquistaram seu espaço. Mas parece que tem homem que prefere não evoluir. Uma pessoa que nem me conhece direito, não sabe o que já passei na vida e o que sou capaz, querendo dar palpite? Tem que falar o que para esse pessoal? Plagiando a mulher do zorra total: "Vem cá, eu te conheço?".
Meses atrás, um maluco fez um comentário ridículo e nem teve coragem de falar na minha frente. O cara achava que eu tinha que fazer café pro pessoal tomar!
Outro colega que me contou. Eu cheguei pro indivíduo, educadamente, e falei: "Nem sei fazer café e não tenho interesse de aprender porque detesto café. Mas, ainda que eu soubesse fazer, essa atribuição não está entre as minhas funções aqui dentro, a empresa não me paga para fazer cafezinho! Se quer tomar café, faça você mesmo." Sorte dele que eu estava num dia de calma, senão era capaz de falar pra ele tomar café em um lugar não muito agradável ou coisa pior... Ele ficou sem graça, pois nem sabia que eu tinha conhecimento do comentário.
E um fiscal que veio com essa "acho que mulher engenheira é muito feio..." Nem sou engenheira, mas e daí? Virei pra ele e falei "E em que século você está vivendo? Sabia que as mulheres hoje fazem tudo que vcs fazem e muitas vezes fazemos melhor? Conheço mulheres engenheiras que são muito mais competentes do que vocês, homens engenheiros!". Um cara instruído falar uma besteira dessa? É, deve ser a idade... A Idade Média, época que ele deve ter nascido! E não apenas a forma de pensar, mas o aspecto do indivíduo (será que o governo mudou a aposentadoria pra 100 anos?), são uma boa confirmação para minha teoria.
Ainda bem que há homens esclarecidos e que não se sentem ameaçados por mulheres independentes e inteligentes. Que entendem que homens e mulheres são diferentes, sim (quando falamos em igualdade, não quer dizer que queremos ser iguais a vocês e nos tornar homens), mas nem por isso um é melhor que o outro...Isso é uma prova de que não devemos perder a fé no gênero masculino.
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Reconheço que hoje comi um pedaço de pizza com refrigerante e que tomei sorvete. Mas também subi muuuita escada e espero que tenha queimado todas as calorias que ingeri. Ah, sou humana! Vcs sabem o que é ter pizza aqui todo dia, sorvete o tempo todo, refri a vontade e ficar quase duas semanas sem consumir nada disso? Ainda bem que o horário do lanche da noite já passou...

O telefone não funciona, não consigo ligar pro noivo nem pra casa desde ontem.
Pouca coisa para fazer por aqui. Não é preciso mais revezar o horário. Os problemas para dormir se agravaram: além da insônia (vocês acreditam que apelei para tomar até dramin e anti-alérgico - cujo efeito colateral é sonolência - para tentar dormir?), a pessoa que divide o camarote comigo ronca que nem um serrote a noite toda! Quando chegar em casa acho que não vou dormir, vou hibernar pelo menos uns dois dias!
Coisas que deveriam ser simples se tornando um transtorno por causa do novo sistema de informática Tabajara (sim, ainda! Disseram que era apenas uma fase de transição... Mas não disseram quantas décadas dura esta tal fase!).
Como é difícil a convivência! Não aguento mais ouvir determinadas conversas carregadas de preconceito (as vezes explícito, as vezes não). Que Deus me dê paciência, agora falta pouco...
E daqui a meia hora tem treinamento de incêndio (bem chatinho por sinal). Espero não ter que ficar lá parada muito tempo com aquele colete desconfortável. Ainda bem que aqui não é preciso entrar na claustrofóbica baleeira...
Mas, apesar dos pesares, vou indo. E, por incrível que pareça, mais calma do que era de se esperar (mas já aviso: se esta noite for a mesma "roncação", amanhã não me responsabilizo pelo meu humor! rs)...
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A todos, FELIZ DIA DOS BLOGUEIROS!
Estava lendo um post no www.leisdemurphy.blogger.com.br onde Rafael diz o quanto ele é ruim em guardar fisionomias e nomes. Me identifiquei! Estou aqui há 11 dias e só sei o nome de umas 6 ou 7 pessoas. Mas tenho certeza de que se eu embarcar com estas pessoas daqui a um mês não vou lembrar! Pior de tudo é que a maioria lembra de mim, inclusive nome, a cidade onde moro... E eu só passo vergonha. Mas convenhamos: há muito menos mulheres embarcando do que homens. Então é mais fácil eles guardarem meu nome do que eu guardar o nome deles. Cada vez que embarco (e cada hora é para um lugar diferente), é a mesma coisa. Fico procurando o nome das pessoas no uniforme... Mas e quando não tem ou quando as pessoas não estão de uniforme? As vezes chego a cumprimentar a mesma pessoa (tipo dar um bom dia) mais de uma vez no mesmo dia. Devem pensar que sou doida! É, o Rafael não está sozinho nessa...
Como se não bastasse a memória ruim para nomes e fisionomias, a coisa piora quando se trata de guardar caminhos. A cada nova sonda, uma nova dificuldade de aprender a andar por ela. Nas mais complicadas, levo até três dias para conseguir andar sozinha sem me perder! E quando eu finalmente consigo aprender, não me peçam para mudar de caminho: se tiver algum lugar isolado e eu tiver que fazer outra trajetória, certamente me perderei de novo. Simplemente não consigo formar aquele "mapa mental". Pensando bem, isso não é nada. Se ainda hoje, depois de todos estes anos, eu ainda consigo me perder na cidade onde nasci e sempre morei... O pior momento foi quando embarquei numa plataforma e teve um alarme de incêndio. Eu estava lá apenas a um dia e quem disse que lembrava o caminho que tinha que percorrer? E eu estava no camarote, só ouvi o povo em disparada pelo corredor (bem diferente dos treinamentos, em que todos estão calmos e vão andando tranquilamente para suas baleeiras) e quando saí já tinha fumaça no corredor. Avistei uma criatura se movimentando e fui atrás, encontrei uma porta e percebi que não era a porta onde estavam minha bota e capacete, mas saí assim mesmo e fiquei procurando os equipamentos de proteção do lado de fora até que alguém, no meio da confusão, me ajudou a chegar lá. Eu estava bem perto e não reconhecia o lugar. No final deu tudo certo, o incêndio foi controlado... Mas pra voltar, tive que seguir o povo novamente. Só dois dias depois consegui andar lá sem me perder! Essas coisas só acontecem comigo.
Um cara que trabalha aqui nesta sonda tem o apelido de "Mala". Quase ninguém sabe o nome dele, até no uniforme do cara é bordado "Mala" ao invés do nome (ou sobrenome)... Hoje encontrei o indivíduo. Não entendi o porque do "mala" (será que ele era tão chato assim?). Daí veio a explicação, dada pelo próprio Mala: há muito tempo atrás, ele achou uma mala de dinheiro (na época do cruzeiro ainda!). Então o que que ele está fazendo trabalhando aqui? Segundo o próprio, ele gastou tudo com bobagens, farras, mulheres. Ah, se fosse comigo... Vê se eu ia despediçar uma oportunidade dessas! Essas horas eu estaria beeeem longe! Ai, ai...
Ainda sobre apelidos, tem uma lenda que corre sobre um plataformista com o singelo apelido de "Praga de Mãe". O motivo? O nome dele: Serapião! Será Pião... E qual a profissão do cara na gíria popular? Peão! Rs... Já estava "condenado" desde que nasceu, coitado! Verdade ou lenda? Não sei, nunca conheci o cara, mas muitas pessoas dizem que é verdade...
O mau humor vai melhorando, mas está sendo substituido por cansaço, sono e vontade de ir pra casa... Nem sei de onde está saindo esse sono todo... Será o balanço (quase imperceptível) do navio?
Finalmente cheguei na metade da quinzena. Agora a contagem passa a ser regressiva...
É, gente, está difícil... Juro que estou tentando melhorar o humor, até estava mais normal depois de umas horas de sono... Mas aí, do nada, o colega que está revezando comigo vem com uma história de mudar de horário. Quer que eu o tire mais cedo para ele poder caminhar (oooohhhh). Por que ele não falou desde o primeiro dia? Acha que sou a mulher borracha, pensa que meu metabolismo é elástico? Que basta me tirar mais cedo que vou deitar e simplesmente dormir? Tenho dificuldade para dormir e isso pode ser uma coisa bem ruim neste meu tipo de trabalho. Hoje, por exemplo, eu levei "só" 3 horas rolando na cama antes de dormir. Meus horários ficam loucos, levo dias pra tentar acostumar... Aí, de repente, querem mudar tudo de novo.
Acabou a moleza, começaram os testes. Daí, chego no laboratório e quando vou fazer as análises o que percebo? Alguma ameba com epilepsia deixou tudo sujo: tubos, telas, funil... Sim, algum desses manés que está ganhando 7 vezes MAIS do que eu! Será que cai a mão deixar as coisas organizadas? E essas coisas acontecem justamente nos piores momentos, quando minha loucura está no ápice. Acho que deve ser TPM, sei lá. Nunca tinha tido isso, mas começo a entender porque em alguns lugares do mundo a pena para uma mulher que comete algum crime nestes períodos é atenuada!
O negócio é respirar fundo, tentar relaxar e esperar essa fase passar. Enquanto isso, vou tentar me distrair com alguma coisa construtiva...
Reflexão
"De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando,
A certeza de que é preciso continuar,
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.
Portanto devemos fazer:
Da interrupção um caminho novo,
Da queda um passo novo de dança,
Do medo uma escada,
Do sonho uma ponte,
Da procura um reencontro." (Fernando Pessoa)
Confesso que não estou nos meus melhores dias. Essa coisa de só ter 5 dias de folga acabou abalando ainda mais as frágeis estruturas da minha sanidade mental (que está na corda-bamba, mais pra lá do que pra cá). Geralmente sou mais simpática com os colegas e falo pelos cotovelos, mas hoje não estou muito a fim de papo. Principalmente se for pra ficar escutando (só escutando mesmo porque não tenho nada para falar) sobre asuntos que estão distantes da minha cruel realidade. Assuntos comuns entre o pessoal antigo e que ganha bem, como:
- casas, terrenos, sítios e outros investimentos imobiliários (eu não consigo nem comprar um barraco),
- viagens (que nunca farei porque não posso pagar hotéis que cobram diária de 200,00 por pessoa. Só fico em hotel quando a empresa me faz embarcar no Rio e em Vitória e ainda assim tenho que olhar a listinha de preços do frigobar - onde uma garrafinha de água pode chegar a 2,50 e um simples misto quente custa 7,00!- para nã pagar mico)
- faculdades que pagam pros filhos (não pude pagar pra mim - fiz Estadual - e do jeito que as coisas caminham também não poderei pagar pros meus filhos. Aliás, só vou poder voltar a estudar porque a faculdade me dá desconto de 50% porque já tenho terceiro grau!)
- troca de carro (tudo bem, consegui trocar o meu depois de muita luta, mas não é zero. Muita gente aqui troca de carro todo ano. E dá carro pra mulher, filhos... Alguns até compram lanchas!)
Não se iludam: ganho mal. Sei que tem gente pior, muito pior, vivendo de salário mínimo. Mas se eu digo que embarco... Algumas pessoas acham q estou nadando na grana (meu pai, então, não tem noção nenhuma, acha que estou rica. É pra rir ou chorar?).
Entendo o engano, afinal, muitos de meus colegas realmente ganham MUITO bem. Mas a vida é injusta. Por que tenho que ser uma "trabalhadora genérica" (explicando: faço a mesma coisa que o pessoal mais velho do meu setor faz e ganho cerca de 7 vezes MENOS!!!!!!!)???
Pra completar, tenho q declarar imposto! Mas isso já é assunto para outro post cheio de revolta. E só vou me preocupar com a declaração quando estiver de folga, mais calma e serena...
Tem mais: estou tentando tomar vergonha e fechar a boca de vez. Quando desembarcar vou entrar numa academia (detalhe:odeio malhar). E nada afeta tanto o humor (pra pior) do que fazer dieta e ter que abandonar o sedentarismo cultivado a tantos anos. Mas meu condicionamento físico está pior do que de uma velha de cem anos, tanto que, após subir este monte de escadas (este navio não tem elevador... pobre!) mal consigo respirar e meu coração acelera tanto (infarte?) que, ao longe, começo a ver uma figura de preto carregando uma foice! rs.

É preciso distribuir melhor o trabalho nesta empresa. Acho que alguns trabalham demais e outros de menos. Sim, porque tem umas idéias sem sentido que só podem ser fruto de uma mente desocupada. Quando cheguei no aeroporto aqui de Vitória, descobri que não se pode embarcar levando nenhum tipo de aerossol, inclusive desodorantes. Não, não é nenhuma regra da aeronáutica. A gente pergunta porque e ninguém sabe (acho que nem a pessoa que inventou este absurdo!). No Rio, em Macaé, não tem nenhum problema. Então, me digam: não é falta do que fazer? Fico imaginando um mané sentado numa cadeira no escritório, entediado, tentando bolar uma idéia bem ridícula para zoar da galera que embarca. Talvez até tenha chamado mais um ou dois manés desocupados e feito uma aposta sobre quem teria a idéia mais ridícula! Agora, pensem: uma criatura desavisada chegando aqui e, na hora de embarcar, ter seu desodorante retido no check-in. Aí tem que ficar quatorze dias com aquele odor desagradável debaixo do braço. Um atentado à saúde porque todos se arriscam a ter seus olfatos afetados. E um atentado à segurança porque a fedentina pode atordoar e tirar a concentração dos trabalhadores, causando acidentes. É nestas horas que a gente vê que tem muita gente insana no mundo...
Detalhe: ainda bem que uso do tipo roll-on! Rs...
MANDAMENTOS DO SETOR DE PETRÓLEO
Coisas que não ensinam na escola ao profissional de PETRÓLEO:
- não terás vida pessoal, familiar ou sentimental. (A vida social fica mesmo bem prejudicada. E conheço vários colegas que tiveram a vida familiar destruída por causa do trabalho. É alto o índice de divórcios...)
- tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes cinco anos de trabalho. (A minha sempre foi meio questionável, mas com certeza piorou em menos de 3 anos aqui!)
- terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como os demais, terás úlcera.
- o cigarro será teu único amigo. (Então, sem amigos, pois não fumo!)
- teus cabelos ficarão brancos antes do resto da população. Se te sobrarem cabelos. (Cabelo branco vai lá, mas careca... Ninguém merece!)
- não terás feriados, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga. (Dã... Agora conta a novidade...)
- dormir será considerado período de folga, logo, não dormirás. (Essa é boa! Rs. Mas pior que acontece mesmo!)
- teu caráter será mensurado pela quantidade de certificações que tiveres. (Tô mal... rs.)
- happy hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas na mesma condição. (É, todo mundo no mesmo barco...)
- a quantidade de memória e o processador de teu notebook serão os diferenciais para que sejas bem visto ou não pelos demais. (Sou mal vista porque não tenho notebook. E prefiro assim, pois já fiquei com notebook da empresa e foi uma experiência péssima! Só se iguala a ficar com o celular da empresa também. Melhor nem lembrar.)
- ficarás cego, mas antes sentirás muita dor de cabeça, enxaqueca ou algo que doa muito. (E surdo também, pois há muitas áreas de grande ruído por aqui.)
- terás sonhos (pesadelos) com risers, tubos, carretas, guindastes, gerentes, sap (o tal sistema de informática que implantaram e que só dá problema), módulos, etc... (Pior que tive mesmo pesadelos com serviço nos dois dias antes do embarque!)
- e não raro, resolverás problemas de trabalho enquanto dorme.
- a máquina de café será tua melhor colega de trabalho. (Não é porque detesto café, mas a maioria do pessoal aqui é viciado em cafeína mesmo!)
- as pessoas serão divididas em três tipos: as que entendem de petróleo, as que entendem de gestão e as que não entendem nada... (A que ponto podemos chegar...)
- exibirás olheiras como troféus de guerra. (Verdade. Parece que levei soco nos olhos, de tão profundas...)
- Sentiras orgulho por tua tendinite ser mais extensa que a do peão sentado ao lado. (orgulho é exagero! Rs.)
- a cafeína não te fará mais efeito. Em dez anos nada mais dará jeito.
- e se não deres um jeito logo, morrerás disso!!! (Triste destino...)
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Depois de passar a noite em claro no hotel, embarquei. Fiquei sabendo que mudaram minha escala através de um e-mail (por que não podem me ligar avisando?!) e ficou tão mal explicado que não entendi nada. Todos que mudaram de escala para participar deste projeto, foram designados para fazer um curso, só meu nome não consta da lista; nem sei se isso é bom ou ruim (talvez as duas coisas, afinal, tudo tem dois lados!). Espero que tudo dê certo e eu possa dormir esta noite...
Ai, ai... Que folga foi essa, gente? A mais curta da minha vida. 5 dias. E detalhe: só 3 dias foram dias úteis. E, pra "ajudar", fiquei doente domingo e segunda (ainda estou, a gripe me pegou feio). Resultado: não consegui fazer 1/10 das coisas que precisava. Ainda tem conta sem pagar. Não consegui resolver nada na faculdade porque tinha que conversar com a coordenadora do curso (quem disse que encontro a mulher?) e com os professores. Nem deu tempo de voltar ao horário normal de sono/vigília (ainda trocando o dia pela noite).
Agora a folga acabou, estarei indo hoje para Vitória (vou embarcar lá desta vez). E os assuntos pendentes, mais uma vez, sobram pro noivo resolver. Agora são 15 dias fora. Só espero que seja uma quinzena tranquila...
"A grande loucura do mundo é querer chegar à justiça pelos caminhos da injustiça." (Pietro Ubaldi)
Finalmente em terra. E a tempo de curtir o noivo. Hoje completamos 3 anos juntos. E 1 ano sob o mesmo teto.
Somos bem diferentes em muitas coisas: gostos musicais (ninguém merece aqueles CDs de funk!), programas de TV (ele só coloca naqueles canais de esporte, eu adoro séries e filmes. Ele até gosta de filmes, mas sempre acaba dormindo no meio) e outros tipos de lazer, como ler (adoro ler, ele alega falta de tempo, mas tem preguiça mesmo!), gostos culinários (detesto mostarde e café e també não como pimenta, ao contrário dele. Além disso, ele prefere o macarrão tipo parafuso e eu, espaguete)... Ele quer mexer no carro, eu quero um sofá; quero viajar no final de semana, ele não pode por causa do trabalho... É, não somos o "casal perfeito". Nós brigamos e fazemos as pazes, como todos os casais. Mas sei que ele me ama. E não é só porque ele me diz isso com frequência (e ele diz). Sei por causa das atitudes dele. Lembro como foi difícil aceitar meu trabalho embarcando (ele é ciumento! rs), mas ele me apoiou quando viu que era o melhor para mim. E ele me ajuda a arrumar a mala, segura o choro quando desço do carro para viajar... Cuida dos nossos peixinhos e cachorro, paga minhas contas e resolve todos os meus problemas (e as vezes até da minha família) quando estou longe. E quando estou aqui, ele cuida de mim. Suporta todas as minhas crises e convive com meu gênio difícil (só por isso, ele já merece um troféu). Não sai pro serviço sem me dar um beijo antes (mesmo quando estou dormindo), faz comidinhas gostosas e me dá remédio quando estou doente. Faz planos comigo, quer oficializar o casamento... Me acha linda mesmo quando estou fora de forma, descabelada ou mal humorada. Essas e mais uma infinidade de pequenas coisas me mostram que ele me ama de verdade. Eu também o amo. E agradeço a Deus por tê-lo em minha vida.
Este é post é em homenagem a um amigo meu, o Daniel. É um daqueles meus poucos (mas verdadeiros) amigos. É ele que está trocando a escala e que citei num post anterior. Tenho alguns amigos que estão sempre sumidos (eles nem sabem do blog), mas o Daniel não é desse tipo não. Ainda bem. Ele liga todo dia quando estamos embarcados e isso torna o isolamento aqui mais suportável (e, como ele trabalha na mesma coisa que eu, posso falar sobre as coisas que acontecem aqui sem que ele fique achando que tô falando grego... e ele sempre dá uma opinião). Ele também liga quando estou de folga (claro que eu também ligo, senão ele me chama de “monstra”). Recentemente, descobri que ele é um amiguinho meio ciumento (né, Dani?). Mas agora não tem motivo, fiz este post só pra você! Rs... Ainda bem que meu noivo ainda não entrou aqui, senão aquela cena (que o Daniel mesmo imaginou certa vez) do meu noivo chegando com uma faca e coisa e tal bem que pode se tornar real! Afinal o Daniel não é o único cara ciumento que conheço. E olha que neste quesito (ciúme) meu noivo acaba ganhando...
E só para te lembrar, Daniel, e deixar aqui registrado para que outras pessoas sirvam de testemunha: no final de março estaremos entrando na academia, hein! Afinal, amigo é amigo na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na gordura e na magreza...! Rs. E pode deixar que não esqueci que eu também tenho uma “dívida”: de ir aí na sua cidade e engordar mais uns 3 kg com os quitutes da sua mãe (depois a ginástica compensa! Rs).
Obrigada pelos telefonemas, e-mails, por suas dicas e opiniões (em vários assuntos), pelas injeções de ânimo.... Enfim, por todas estas coisas de amigo.
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Então é isso gente. Última madrugada de trabalho antes das minhas "extensas" folgas de apenas 5 dias!
Eu nem estava prestando atenção na reunião de ontem até que de repente surge um assunto de "graaaaande" importância: o pessoal do navio está querendo proibir o uso de havaianas ou sandálias de dedo similares na parte interna (na parte externa não dá mesmo porque a gente só pode usar bota anti-derrapante) por motivo de segurança. Explicando: pelo fato de se dobrar muito facilmente, a sandália pode provocar queda, principalmente quando o pessoal sobe e desce escadas. Eis a resposta do fiscal: "Ah, gente, fala sério! Avião também cai e mesmo assim a gente tem que voar nele!"... Boa resposta! A gente ganha pouco, mas se diverte!
Telefonema do noivo avisando que a faculdade aceitou meu pedido de reingresso. Mas tenho a impressão de que eles vão voltar atrás quando souberem que vou faltar o primeiro mês de aula todinho! Será que eu conto ou fico de bico fechado e faço minha matrícula assim mesmo? Pensando bem, acho que a segunda opção não é boa idéia porque uma hora ou outra vou ter que conversar e pedir que abonem minhas faltas por causa do trabalho...
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Reflexão:
"Cada ato é sempre livre em sua origem, mas não depois, porque então já pertence ao determinismo da lei de causalidade, que lhe impõe as reações e as consequências." (Pietro Ubaldi)